E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela (Lc 19.41).
CHOROU: (gr. Eklausen): Mais que derramar lágrimas. É lamentar; é pranto copioso, soluço e clamor de uma alma em agonia.
Desta vez Jesus chorou, prevendo a tragédia que se abateria sobre Jerusalém. Também via que, muitos dos que o aclamavam naquele momento, gritando: Hosanas ao Rei que vem em nome do Senhor, naquela mesma semana gritariam: Crucifica-o! Crucifica-o!.
Neste caso, após ser aclamado como Rei, ao ver a cidade tão bela e amada, com seu casario, seus edifícios, palácios, arvoredos, jardins, o traçado de suas ruas e avenidas; ao ver a beleza e suntuosidade do Templo – a jóia mais preciosa para aquele povo – Jesus não segurou a emoção e chorou. Um choro copioso, um clamor, um lamento, um soluço.
Chorou com pesar, com profunda compaixão, pelos dias de sítio, fome, morte e destruição que se abateriam sobre a sua Jerusalém, pois o Exército Romano arrasaria tudo o que encontrasse pela frente e não deixaria “pedra sobre pedra”, literalmente.
Jesus via: não do alto do monte, mas do alto da sua Onisciência e Soberania. Dali, ele enxergava a vaidade, a arrogância, a prepotência farisaica. Podia ver a ganância e avareza dos vendilhões do Templo, aos quais expulsaria logo em seguida, exigindo reverência na sua Casa, lugar de Oração, mas que havia sido transformada em covil de salteadores.
Jesus já podia ver-se a si mesmo, percorrendo, com a cruz às costas, as estreitas e tortuosas ruas que o levariam ao Monte Caveira, onde queria dar a sua vida por nós, para depois, retomá-la, vencendo assim o nosso último inimigo: A Morte (I Co 15.26).
O tempo passou e nós, seus servos, na nossa fraqueza, continuamos a dar-lhe motivos para entristecer-se e chorar. Quando nos deixamos abater diante das circunstâncias, ou quando deixamos de buscar a sua face e passamos a confiar em nós mesmos, fazendo da carne o nosso braço. Vindo a decepção desanimamos, deixamos de crer e confiar no Deus que “é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl 46.1).
Quando tememos e trememos diante da morte; quando fazemos do ventre, do dinheiro, do corpo, da saúde, da beleza, ou de alguém, o nosso deus, deixando em segundo plano o Deus único e verdadeiro:
O El-Shaddai, o Adonai; O Senhor que Sara; O Senhor que Provê; O Senhor que é a Nossa Bandeira; O Senhor que é a Nossa Paz; O Nosso Criador; O Nosso Pastor; A Nossa Justiça; O Redentor Amado; Aquele que é o Caminho, e a Verdade, e a Vida – O Nosso Senhor Jesus Cristo. |