Heróis da fé
Histórico da IEADERN – Como tudo começou
O CENÁRIO EVANGÉLICO NO NORTE DO BRASIL
A Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Rio Grande do Norte – IEADERN originou-se do extraordinário movimento pentecostal que conquistou o Brasil, a partir de 1910. Nesse ano – mais exatamente em 19 de novembro – os suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg desembarcaram em Belém/Pará, vindos dos EUA. Eles traziam consigo a revelação específica de Deus para uma grande obra evangelística a ser iniciada naquele Estado. A atuação desses missionários deu origem à “Missão de Fé Apostólica”, primeiro nome dado à igreja, em 1911.
Missionário Gunnar Vingren |
![]() Missionário Daniel Berg |
O movimento de evangelização pentecostal espraiou-se pelo norte e rumou em direção ao nordeste do País. O Ceará foi inicialmente evangelizado por uma irmã paraense, em visita a uns familiares seus. O Rio Grande do Norte e a Paraíba tiveram em um lavrador paraense – por nome Joaquim Batista de Macedo – um dos primeiros evangelizadores. Nesse contexto, em 1914, a Cidade de Fortaleza já contava com duas igrejas, totalizando uma centena de crentes. Em 1916, alguns norte-riograndenses que haviam ido ao Pará buscar uma melhor sorte retornaram a Natal. Entre eles, Antônio Felipe Bezerra e sua esposa Luizinha, ambos recém convertidos à fé pentecostal; e o ex-presbiteriano Francisco Cézar, este já batizado no Espírito Santo. Todos tinham um desejo comum: evangelizar a parentela. Em 1917, em uma reunião de oração, na residência do citado casal, converteram-se à nova fé: José Domingos da Costa, Pedro Jacinto e a esposa deste último. José Domingos, segundo alguns relatos, foi o primeiro crente batizado no Espírito Santo em terras potiguares. Surgiram, assim, os primeiros frutos da obra pentecostal no Rio Grande do Norte. Enquanto isto, na Cidade de Belém/PA, em 11 de janeiro de 1918, a nova igreja era oficialmente registrada com o nome “Assembléia de Deus”.
O CENÁRIO CONTEMPORÂNEO NO RIO GRANDE DO NORTE
No início do Séc. XX, o Estado do Rio Grande do Norte era dominado politicamente por uma das maiores oligarquias de sua história – a da família Albuquerque Maranhão – que governou o Estado por 28 anos seguidos (1890-1918). A Capital, Natal, dispunha de uma precária infra-estrutura urbana, para uma população da ordem de 16 mil habitantes (censo de 1900); no interior, aonde haviam engenhos e fazendas, começavam a florescer vilas e cidades, entre as quais: Ceará-Mirim, Macaíba, São José de Mipibu, Nízia Floresta, Angicos, Mossoró, Areia Branca, Macau, Apodi, Assu, Pau dos Ferros, Patu, Santana dos Matos, Florânea, Jardim do Seridó, Acari, Currais Novos, Caicó, Goianinha e Pedro Velho. Nesse período (1911-1913), chegou ao Estado, através do Capitão José da Penha, o movimento liderado por militares e denominado “Salvação Nacional”, que tinham como objetivo derrubar – pelas armas -, em todas as regiões do país, as oligarquias que deturpavam o espírito republicano. Em 1913, o governador Alberto Maranhão elegeu como seu sucessor o Senador Ferreira Chaves. Mesmo não sendo membro do clã Albuquerque Maranhão, o governador eleito sempre fora um correligionário fiel desse grupo. Entretanto, durante seu mandato, o novo governador manteve postura oposicionista e lutou para desfazer a máquina oligárquica que comandava o Estado.
O primeiro culto pentecostal em Natal
Em 13 de janeiro de 1918, na casa de Luiz de França – mais conhecido como Soldado Lulu -, na chamada Rua do Arame, foi realizado o primeiro culto pentecostal, em Natal, sob a liderança do irmão Francisco Cézar. Da liturgia espontânea constaram: hinos, leitura do texto bíblico em Ap 21.21-27 e testemunhos da fé. Na ocasião, converteram-se seis pessoas, entre as quais o casal anfitrião. Nessa residência, passou a reunir-se um pequeno grupo de 10 irmãos, para cultuar e orar ao Senhor. Mesmo com o crescimento numérico, ali permaneceram até a instalação da primeira congregação oficial da Assembléia de Deus, no ano de 1919.
O ano de 1918 foi marcado por conflitos políticos no Rio Grande do Norte que culminaram com o rompimento oficial da família Alberto Maranhão com o Governador. Esse ato foi liderado pelo Ministro da Viação e Obras Públicas do governo Wenceslau Braz, Tavares de Lira, ao sentir-se desprestigiado pelo governo local. Em outubro de 1919, ao eleger o Dr. Antônio José de Melo como seu sucessor, o Governador Ferreira Chaves jogava a última pá de cal sobre a oligarquia que dominara o Estado por quase três décadas.
A implantação da Igreja e a primeira congregação oficial
Em abril de 1918, atendendo ao pedido do irmão Francisco Cézar, os Missionários Vingren e Berg enviaram para Natal um pregador eloqüente e versado nas Escrituras, por nome Adriano Nobre. Coube a esse evangelista a tarefa de implantar a Igreja, no Rio Grande do Norte. Foi ele quem realizou, às margens do Potente, junto à ponte de Igapó, na data de 15 de abril de 1918, o batismo em águas dos primeiros seis crentes, em Natal; dois dias após, batizava mais duas irmãs; e, poucos dias depois, fazia um terceiro batismo, este num sítio por nome “Sumaré”, em Goianinha. A Assembléia de Deus no RN – segundo a tradição oral – teve no evangelista Adriano Nobre, o seu primeiro pastor. O livro “História da Assembléia de Deus no Brasil”, entretanto, reserva essa primazia ao irmão José Estomago de Morais, enviado pela Igreja-Mãe (Belém/PA), em 1919. Com a chegada de José Paulino Estumano de Morais, o local de cultos foi transferido para a Rua América, 963 (atual Rua Te. Alberto Gomes), esquina com a Rua do Arame (atual Rua Manoel Vitorino), por trás do Cemitério do Alecrim (historicamente, a primeira Congregação da Assembléia de Deus, em Natal). O novo pastor realizou algumas incursões ao interior do Estado, iniciando pelo “Sítio Moreira”, em Vila Nova, onde havia um trabalho dirigido pelo irmão José Meneses. Outras visitas se sucederam a sítios e povoados, nos quais a Palavra era pregada, quase sempre em residências particulares. Na noite de 28 de junho de 1920, ao passar por Natal em viagem para o Rio de Janeiro, Gunnar Vingren encontrou uma igreja com 23 membros, oito dos quais batizados no Espírito Santo. O Pr. José Morais teve que regressar a Belém, sendo substituído pelo irmão Josino Galvão de Lima, que pastoreou a Igreja até o início de 1922.
O contexto sócio-religioso da década de 1920
A década de 20 foi extremamente difícil para a Assembléia de Deus, em Natal. Não apenas padres católicos levantaram-se contra a obra pentecostal; irmãos de outras denominações empreenderam forte perseguição à igreja emergente. Expressões pejorativas como “bodes” ou “capa-verde” eram tão dolorosas quanto à proibição – comum, à época – de dar-se um copo d’água ou vender-se um pão aos adeptos da nova fé. Entretanto, a bênção de Deus estava sobre a igreja. Por essa razão e em decorrência do serviço denodado de uma verdadeira galeria de apóstolos de Cristo, a obra prosseguia, em ritmo forte e constante. Em março de 1922, assumiu o pastorado de Natal o irmão Manoel Hygino de Souza(mais conhecido como Manequinho), natural da Cidade de Nova Cruz, que permaneceu no cargo até dezembro do ano seguinte. A igreja tinha, então, cerca de 40 membros e congregados, que ainda se reuniam na casa alugada, na antiga Rua América.
Na década de 20, vários jornais circularam em Natal; a maioria deles com objetivos eminentemente políticos. O Diário de Natal (fundado em 1924) mantinha uma linha relativamente isenta quanto às disputas partidárias. No plano político nacional, era crescente a insatisfação dos que desejavam uma “República Liberal” em substituição à “República Oligárquica” ainda vigente em vários Estados. Entre os militares, surgiam várias revoltas, como desdobramento dos mesmos sentimentos que fizeram surgir o movimento salvacionista, na década de 10.
Foi um ministério bem sucedido, tanto espiritual como administrativamente, e marcado por operações caracterizadas como milagres. Relata-se que certo dia, ao fazer uma visita pastoral a uma crente de nome Maria das Neves da Silva, residente à Rua Araguaya (atual Alte. Ary Parreiras), no Alecrim, encontrou-a em coma, vítima de tuberculose pulmonar. Informado do seu estado pelo médico que se encontrava à sua cabeceira, compadeceu-se da “Irmã Nevinha” e, após ler o capítulo 11 de João, ajoelhando-se e orou ao Senhor com as mãos postas sobre a cabeça da enferma, pedindo que fosse restaurada a saúde dela. O Senhor atendeu ao seu pedido, curando-a imediatamente.
No início do seu pastorado, o seu filho Gidalte Seabra de Souza adoeceu e veio a falecer. Após ler o Atestado de Óbito entregue pelo médio que assistiu a criança, o Pr. Hygino ajoelhou-se e, com as mãos postas sobre o corpinho morto, pediu ao Senhor que ressuscitasse seu filho para que o Seu Nome fosse glorificado através dele. A criança – que à época tinha dois meses de idade – tornou à vida, criou-se, tornou-se homem e veio a falecer, em 27/07/92, com quase 70 anos. Esses dois feitos milagrosos provocaram um verdadeiro rebuliço na sociedade natalense da época e promoveram significativo despertamento e crescimento na igreja. A conversão de novos crentes e o desenvolvimento que experimentava o Alecrim, exigiram a mudança da igreja para um local mais amplo, próximo à maior movimentação do Bairro. Para isto, a igreja aprovou a compra de um terreno localizado na Rua Amaro Barreto nº 40, no qual havia um chalé que foi adaptado para receber a Igreja.
Segundo testemunhos orais, esse imóvel foi adquirido pela quantia de 3.500 contos de réis, supostamente emprestado pelo Missionário Samuel Nyström, quando de sua visita a Natal, em companhia do também Missionário Nels Julius Nelson. Há quem afirme, ainda, que foi necessário recorrer-se ao missionário Joel Carlson, então responsável pela AD em Recife/PE – com supervisão na área do Rio Grande do Norte – que emprestou quinhentos mil réis, importância suficiente para completar o valor pago pelo chalé. Nos fundos do terreno ficava uma humilde de taipa, utilizada como casa pastoral. No início de 1924, o Pr. Manoel Hygino retornou à AD em Belém, sendo designado para pastorear a AD em Manaus/AM.
O modesto templo da Rua Amaro Barreto, nº 40 (onde atualmente encontra-se o prédio do Banco Bamerindus), foi ampliado e reinaugurado em 13 de janeiro de 1924. Esse evento, deu-se no pastorado do irmão Bruno Skolimowsky, que sucedeu a Manoel Hygino e permaneceu no cargo até 1926.
A 1ª Convenção Geral das AD no Brasil, na turbulência política do RN
O sucessor do Pr. Skolimowsky, em 1926, foi o Pastor Francisco Gonzaga, o primeiro a ter um longo ministério frente à Igreja, no RN. Coube a esse Servo de Deus, em seus 11 anos de pastorado local, alguns dos momentos mais significativos da vida IEADERN. O ano de 1930 foi um desses. Nos dias 5 a 10 de setembro, deu-se a 1ª Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, com as presenças de 18 pastores e missionários, entre os quais: Pr. Lewi Pethrus (Estocolmo/Suécia); Missionários Vingren e Berg; outros missionários suecos em atuação no País; e os principais líderes nacionais. O site da CGADB, assim registra esse evento: “Foi em 1930 que se realizou a primeira Assembléia Convencional. A Igreja hospedeira foi a Assembléia de Deus em Natal, RN. Os trabalhos foram presididos pelo pastor Cícero Canuto de Lima. Por falta de registros, pouco se sabe do que foi tratado naquela Assembléia. No entanto, sabe-se que naquela reunião ocorreu a fusão dos jornais “Boa Semente” e “Som Alegre”, resultando daí o “Mensageiro da Paz”, que é o nosso atual órgão oficial.” Outros registros informam que, nessa Convenção, foi definida a ida de todos os missionários estrangeiros para o sul/sudeste, sendo confiada a próspera obra do norte/nordeste aos obreiros brasileiros; ainda, que foi tratado sobre o ministério das mulheres na igreja. Coube, ainda, ao Pr. Gonzaga a proposta de vender os imóveis da Amaro Barreto (templo e casa pastoral, em taipa) e construir um novo templo. Esse negócio foi aprovado pela igreja que decidiu instalar-se na Rua Manoel Miranda, nº 1425, até hoje endereço sede da IEADERN. A inauguração do novo templo deu-se em 24 de janeiro de 1937. Nesse mesmo ano, o Pr. Gonzaga mudou-se para a Cidade de Santos/SP, aonde veio a falecer – vítima de um acidente automobilístico – em 3 de outubro de 1945. O sucessor do Pr. Francisco Gonzaga, em Natal, foi o Pr. Clímaco Bueno Aza , que permaneceu no cargo até 1940. Apesar do grande trabalho desenvolvido por esse irmão, tanto no norte como no sudeste do País, não há maiores registros da obra desenvolvida pelo mesmo, no RN.
Em 1º de janeiro de 1928, Juvenal Lamartine de Faria assumiu o governo do Estado. Nessa época, Natal tinha cerca de 50 mil habitantes e limitava-se aos bairros da Rocas, Ribeira, Cidade Alta, Petrópolis, Tarou e Alecrim. A cidade ainda não dispunha de transporte coletivo, nem de vias pavimentadas. Em 1929, na gestão do prefeito Omar O’Grada, Natal recebeu o mais avançado plano urbanístico do País, elaborado pelo arquiteto italiano Giácomo Palumbo. A cidade foi rasgada, no sentido norte-sul, por amplas avenidas batizadas com nomes de presidentes da República; e, perpendicularmente, por largas ruas, com nomes de rios do Estado. Em 5 de outubro de 1930, Lamartine transferiu o cargo ao Vice-governador e fugiu para o Rio de Janeiro, temendo a chegadas das forças revolucionárias. De 1930 a 1935, o Estado foi governado por uma Junta Militar e por cinco Interventores. Em 30 de outubro de 1935, o Dr. Rafael Fernandes Gurjão assumiu o governo do Rio Grande do Norte, eleito pela Assembléia Constituinte. No dia 23 de novembro do mesmo ano, no Quartel do 21º Batalhão de Caçadores, alguns militares, sublevados, iniciaram o movimento da insurreição comunista. No dia 25, uma Junta Governativa, presidida pelo jornalista João Batista Galvão, em nome do Comitê Popular Revolucionário, destituiu o Governador e assumiu o poder. Esse levante, que contou com o apoio do jornal católico “A Ordem” (em cujas oficinas foi impressa a única edição de “A Liberdade”, não durou mais que quatro dias, fracassando por falta de apoio dos movimentos semelhantes havidos no Recife e Rio de Janeiro).
Consolidação e crescimento da Igreja
Em 1940, assumiu o pastorado da AD o irmão Eugênio Martins Pires, advindo de Recife/PE A esse homem de Deus, deve-se um profícuo trabalho de expansão da igreja, especialmente no âmbito da Capital. Em seu pastorado, foi criado o trabalho de Círculos de Oração, inspirado no mesmo modelo praticado em Recife. Coube-lhe, também, hospedar a 9ª Convenção Geral das AD’s no Brasil, realizada em Natal, de 22 a 27 de novembro de 1948, sob a presidência do missionário Samuel Nyström. O Pr. Pires permaneceu frente à Assembléia de Deus no RN até 1959, quando foi recolhido à Glória.
Interinamente, assumiu a liderança da Igreja o Missionário Eurico Bergstén, que trouxe uma nova visão pastoral e administrativa para Natal, contribuindo grandemente para a organização de setores vitais para a Igreja. Foi o próprio irmão Eurico quem convidou o então Pastor da AD em Salvador/BA para assumir o pastorado da Igreja no RN.
No plano externo, essa foi uma década marcada pelo horror da Segunda Guerra Mundial e por um salto desenvolvimentista para Natal, como conseqüência da instalação de duas bases: uma, naval e brasileira, em Natal; e outra, aérea e americana, em Parnamirim, a qual veio a transformar-se no “Trampolim da Vitória” dos aliados.
O primeiro “JOÃO”: A conquista do Interior – a marca do Apóstolo
Em 10 de janeiro de 1960, teve início o mais longo pastorado da história da IEADERN, tendo à frente o Pr. João Batista da Silva. Ao todo, foram 33 anos e 4 meses de um trabalho incansável desse “Apóstolo do Nordeste” (nome que conquistou junto à liderança nacional das AD’s, em razão da obra para a qual Deus o chamou, na Região antes de assumir o pastorado, em Natal, o Pr. João Batista havia pastoreado: Ceará-Mirim/RN, 5 anos; João Pessoa/PB, 11 anos; e Salvador/BA, 10 anos).
Em sua gestão, Natal sediou a 21ª Convenção Geral das AD’s no Brasil, de 21 a 28 de janeiro de 1973. Essa AGO, chamada de “A Convenção da Paz”, foi presidida pelo Pr. João Batista, tendo como Vice-Presidente, o Pr. Túlio Barros Ferreira (RJ); e a participação de expressivos nomes da AD no Brasil, a exemplo de: José Pimentel de Carvalho, Firmino da Anunciação Gouveia, Emiliano Ferreira da Costa, José Amaro da Silva, Anselmo Silvestre e Paulo Leivas Macalão. Coube, ainda, ao Pr. João Batista a presidência da CGADB, no período interconvencional desse ano. Na área da educação teológica e secular, teve participação decisiva na criação da Escola Teológica das Assembléias de Deus no Nordeste (posteriormente, transformada em ESTEADEB) e de uma Escola de Ensino de 1º Grau que, mais tarde, veio a receber o seu nome. Em 5 de junho de 1983, fundou o Centro Integrado de Assistência Social da AD (CIAD), entidade mantenedora de 2 creches e um lar para idosos, todos atualmente em atividades. Sua ação pastoral possibilitou a expansão do número de congregações, na Capital, de cerca de 6 para 57; sua visão missionária levou a igreja além mares, enviando um primeiro missionário, Edson Alves da Silva, a Madagascar/África; seguiram-se outros para Equador, Guatemala, Guiana Francesa e Paraguai. Entretanto, a maior contribuição que o Pr. João Batista deu ao Estado foi à evangelização do Interior. Ao concluir sua tarefa, em todos os 153 municípios do RN havia trabalho evangelístico, apesar de alguns poucos não terem obreiro residente. Após a morte de sua esposa, Maria Anita da Silva, o Pr. João Batista iniciou um lento e gradativo processo de recolhimento interior e ministerial, que culminou com a sua disposição em transferir o cargo. Como último ato, escolheu pessoalmente o seu sucessor, na pessoa de um dos pastores do Estado e líder da Região Oeste, com sede na Cidade de Mossoró. Na noite do dia 23 de maio de 1993 – com muita dignidade – o Pr. João Batista da Silva transferiu o pastorado e recolheu-se definitivamente ao seu lar, jamais opinando sobre os destinos da Igreja, já então confiada ao Pr. João Gomes da Silva.
Segundo “JOÃO”: a conquista da mídia – em vida e na morte …
Ao assumir a Presidência da IEADERN, o Pr. João Gomes da Silvaanteviu três grandes desafios: 1º) reestruturar e reorganizar a Igreja, na Capital; 2º) desenvolver, ainda mais, a evangelização no Estado e a missão transcultural; e, 3º) promover uma maior integração entre a Capital e o Interior. Respaldado em uma equipe formada pelo excelente potencial humano da Igreja Local, o Pr. João Gomes implantou uma nova organização eclesiástica, tendo como princípios: a descentralização e a modernização administrativa.
A igreja foi organizada em áreas de supervisão e em setores que coordenavam as congregações em Natal. O modelo foi seguido em algumas Igrejas Filiadas. Os recursos da informática e a integração virtual tiveram seu início, na IEADERN. Entretanto, a aquisição da Rádio Nordeste Evangélica foi o marco do pastorado João Gomes, beneficiando a evangelização e a integração das igrejas, no âmbito local e regional. O controle pleno da Rádio passou para a IEADERN em 1º de agosto de 1995. Seguiram meses de uma tremenda luta para pagamento da vultosa quantia pela qual a mesma foi negociada. Pastores, obreiros, mulheres, jovens e crianças foram mobilizados em uma campanha para arrecadação de fundos, sem precedentes na história da igreja evangélica potiguar. Ao final de um período de meses – considerados as parcelas mensais, acrescidas de juros e correções – através da “Operação Boas Novas”, a igreja havia pago cerca de US$ 2,200,000 (dois milhões e duzentos mil dólares) pela Emissora.
Levantamentos posteriormente feitos por administrações da própria RNE, estimam que – procedidos os lançamentos de valores adicionalmente pagos com obrigações sociais trabalhistas, indenizações e recuperação de equipamentos sucateados – esse valor tenha ultrapassado três (3) milhões de dólares. Nesse período, a AD em Natal cresceu acima da média nacional das AD’s. A Igreja Sede expandiu seu número de congregações em 17%, através da conclusão de obras e da construção de novos templos; e elevou seu número de membros em mais de 15%. No início de 1997, o número de congregações já havia dobrado em relação ao início do pastorado. Na missão transcultural, novas frentes foram abertas, em Portugal e Venezuela; e foram mantidas as existentes em outros três países: Equador, Guiana Francesa e Paraguai, com participação direta das Igrejas Filiadas em Mossoró e Parnamirim. A atualização e a capacitação de obreiros foi estimulada, através da oferta de cursos teológicos e seculares. Ações sociais e o crescimento do patrimônio da Igreja também foram marcas desse período. No dia 22 de agosto de 1998, quando se dirigia para a cidade de Goianinha, no interior do Estado, onde participaria de uma reunião com a liderança da igreja local, o veículo que conduzia o Pr. João Gomes da Silva colidiu frontalmente com um caminhão que trafegava em sentido contrário. No acidente, perdeu a vida, juntamente com o seu motorista, Raimundo Nonato André da Silva.
O sepultamento do corpo do Pr. João Gomes foi um dos mais concorridos de toda a história de Natal. Na sua morte, como em vida, ele conquistou fortes sentimentos de afeto e amor do Povo de Deus.
Uma nova interinidade – tênue esboço de abertura político-eclesiástica …
Nessa nova Interinidade, assumiu a liderança da Igreja o Pr. Edmar Rosa Gomes, 1º Vice Presidente. A vacância inesperada da presidência da IEADERN foi suprida, interinamente, pelo Pastor Edmar que permaneceu no cargo por pouco mais de quatro meses. Foi um período curto porém muito abençoado tendo em vista o equilíbrio e a maturidade demonstrados pelo Presidente Interino, que de forma eficiente, cordata e firme fez cumprir as disposições estatutárias quanto ao rito de eleição do novo pastor da IEADERN (fato inédito na história da Igreja!). O processo eletivo para o cargo de Pastor da Igreja Sede em Natal (e, por disposição estatutária, Presidente da IEADERN), teve como candidatos os quatro (4) pastores seguintes, citados (por ordem de inscrição): Josué Macário de Morais (Pendências), Francisco Raimundo da Silva (Macau), José Gilson de Oliveira (Natal) e Raimundo João de Santana (Parnamirim). A eleição deu-se em reunião da Convenção Estadual de Ministros da Igreja, na qual o Pr. Raimundo João de Santana recebeu, em escrutínio secreto, 124 (62%) dos 200 votos consignados. Ato contínuo, o nome do candidato eleito pela CEMADERN foi apresentado e acatado pelo Ministério da Igreja Sede, em eleição aberta e coletiva. Em 27 de novembro de 1998, em Assembléia Geral Extraordinária de Membros da Igreja especialmente convocada para este fim, foi concluído o processo, sendo o Pr. Raimundo João de Santana aclamado Pastor-Presidente da IEADERN. Apesar da aparente “abertura” na política eclesiástica assembleiana, apenas os Ministros Convencionais tiveram direito ao voto livre, por escrutínio secreto. Tanto os presbíteros da Capital, quanto os membros da Igreja, só puderam manifestar-se através do processo de “aclamação”, em assembléias distintas.
O terceiro “JOÃO”: rumo à virada do milênio …
O Pr. Raimundo João de Santana foi empossado como 12º Pastor da AD em Natal (e, por conseguinte, Presidente da IEADERN e da Convenção Estadual de Ministros), elevado cargo assumido, aos 74 anos de idade, na noite de 03 de janeiro de 1999. Após pastorear o Rebanho de Deus na Cidade de Parnamirim, durante 27 anos, o pastor recém eleito foi empossado em um clima de muita festividade e expectativas.
Quando o Pastor Raimundo Santana assumiu a Presidência da IEADERN, ela possuía 8 mil membros e cerca de 7 mil congregados, estimadamente, igual número de membros e congregados, no Interior na Capital. Contava também com 130 congregações na Capital e Igrejas Filiadas em 160 municípios do Interior (às quais se agregavam mais de 200 congregações). Hoje, a Igreja conta, em todo o Estado, com aproximadamente 200 mil irmãos, entre membros e congregados. Somente em Natal, Capital do RN, existem 180 (cento e oitenta) Congregações, distribuídas organizacionalmente em quatro Áreas Geográficas , compostas por 24 Setores. Cada Setor tem uma Congregação-Polo, a qual Coordena as demais Congregações, fisicamente próximas, que estão, administrativamente, sob sua jurisdição eclesiástica. Nesses anos em que está à frente dos destinos de nossa Igreja, o Senhor tem sido bondoso para com o Pastor, pois tem prosperado em todos os segmentos. Vários Missionários foram enviados para o Campo; o CIADE foi reestruturado, a Rádio Nordeste Evangélica saneada; o Templo Central foi totalmente acabado e inaugurado em caráter definitivo.




17th de janeiro de 2010 às 17h57
parabéns a todos os assembleianos que com muitata garra e desenvoltura fazem a obra crescer a cada amanhecer